O meu destino 

Estava sentada na calçada. A sua única companhia era o sol que lhe tomava o rosto, destacando as suas sardas. O resto se encontrava imerso numa redoma invisível ao seus olhos. Era difícil, ela só enxergava o que e quando queria. 

Até que… Enxergou.

Lá estava ele, a sua outra metade, no ponto de ônibus. Desprevenido e humano, lá estava ele. Sentado no banco com a face de quem se acostumou com a monotonia da vida. 

Ela enxergou, pasmada! Ela enxergou. Era ele, a sua metade estava ali, o seu restante sentado num banco, as três da tarde, esperando o ônibus. 

A ausência do mundo estava posta. Ambos trocavam olhares, fascinados, sem o ego para dizer que suas bocas estavam abertas e isso poderia não parecer tão sedutor para o primeiro olhar. 

Quanto tempo havia passado? Quantas coisas haviam dito? Quando tudo passou a fazer sentido? Disseram muito, mais que disseram, se queriam, se pediram, se deram. Não havia mais volta, não era mais possível, os olhares fadaram um destino.

O ônibus passou 

Ele, ainda imóvel, ficou…

Pra sempre? 

Sim.

Gabriela Buraick

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